Todo poeta tem
Todo poeta tem
Tem gosto de poesia, tem
Tem medo de agonia, tem
Tem tom de sinfonia, tem
Tem moça todo dia, tem.
Todo poeta pensa
“Sou o rapagão indubitável
Produzo uma canção adaptável
Espiculo a razão impermeável
Possuo um coração indesejável”.
Todo poeta deseja
Expressar amor com sutileza
Viver sem transpor a natureza
Encontrar o receptor da incerteza
Morrer colecionador d’uma tristeza.
O poema assim finda:
Ao som de euforia
E exalando a energia
Que lhe resta todavia,
Um cado de ousadia.